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O estado de Pernambuco certamente é um dos maiores responsáveis pela formação do universo musical brasileiro. Lá surgiu o baião, um dos principais ritmos do supergênero musical forró, o frevo – que é importante influência do axé music – e o maracatu, esse ritmo musical originalmente atrelado ao congado e que passou a ocupar uma parcela significativa das ruas das cidades pernambucanas durante o carnaval!

Assim como o sertanejo e o forró, fortemente conectados às festas juninas, e o samba, o frevo e axé music – intimamente ligados ao carnaval – o maracatu também é associado às nossas festas populares. Atualmente os blocos que saem no carnaval arrastam bastante gente, mas foi em outra manifestação popular que o maracatu nasceu…

O maracatu bifurca-se em dois subgêneros – o nação e o de baque solto – e ambos são reconhecidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, como no Bens Culturais de Natureza Imaterial. Fique com a gente neste texto para conhecer um pouco mais da história e das características rítmicas do maracatu – que virou atômico nas mãos de Chico Science e da Nação Zumbi!

Congado: a coroação de reis e rainhas do Congo

Quem acompanha os canais da Musicloom, seja o blog ou o nosso Instagram já deve ter percebido o tamanho da influência da matriz africana em ritmos musicais e gêneros brasileiros. O samba e o forró, dois dos supergêneros musicais mais populares do país, tem o lundu, um ritmo de raiz africana, como ancestral comum; o axé músic é formado a partir do frevo e do ijexá, outro ritmo constituído pelos descendentes de africanos que vieram para o Brasil.

O maracatu tem uma conexão direta com a tradição africana, não só pela música mas por outra importante festa popular que também já é parte da cultura brasileira: o congado, ou a coroação do Rei Congo.

A história remete ao século XV, mais especificamente a três de maio de 1491, dia no qual Nzinga a Nkuwu, o rei do Congo foi batizado por missionários portugueses, convertendo-se assim ao catolicismo. Ele adotou “João” como seu nome português, tornando-se Dom João I, o primeiro rei católico do Congo.

O antigo reino do Congo não é exatamente o território que hoje forma a República Democrática do Congo. Era uma região na fronteira entre este e o norte de Angola. Nessa região, após o batismo de Nzinga a Nkuwu, iniciou-se a construção de igrejas e outros templos católicos. O príncipe Mvemba a Nzinga também foi batizado, ganhando a alcunha de D. Afonso I. Este assumiu devoção ao catolicismo e estimulou o domínio da igreja na região.

A festa da coroação do rei do Congo é uma celebração em homenagem a este acontecimento. Ela já era celebrada na África mesmo antes das caravelas portuguesas chegarem ao Brasil. Tanto que parte dos escravizados que foram trazidos ao país já eram católicos. Com o desejo de continuar praticando seus festejos aqui no país, reproduziram as festas de coroação do rei. Recife era um polo de comemorações.

No evento, muitos devotos levavam seus instrumentos de percussão para ditar o ritmo do cortejo, que caminhava pela cidade no ritmo da marcha. Esses grupos evoluíram para blocos que, influenciados pela popularidade do lundu, aproveitaram-se da alfaia e outros membranofones para acelerar o ritmo das canções, criando assim o maracatu nação.

Enquanto isso, no interior, uma outra rítmica, derivada do coco – um dos ritmos do forró – surgia. Também acelerada, ela usava instrumentos musicais de origem indígena, como o maracá. A principal teoria sobre o nome do ritmo, inclusive, deriva do uso desse instrumento. Foi a versão do interior que evoluiu para o que conhecemos hoje como maracatu de baque solto.

Maracatu: como o ritmo se popularizou

Durante boa parte do século XX, os ensaios e festas dos blocos de maracatu precisavam de autorização da polícia pernambucana para acontecer. Foi só a partir da década de 1980 que iniciou-se um processo de valorização do ritmo, em grande medida associado ao carnaval.

O ritmo ultrapassou fronteiras na década de 1990 Francisco de Assis França, o Chico Science e sua banda, a Nação Zumbi. Além de popularizar o maracatu, ele o recontextualizou: misturando alfaias aos tradicionais eletrofones de uma banda de rock, a Nação Zumbi misturou a síncope do maracatu ao rock, alcançando sucesso em todo o Brasil e tornando o maracatu nacionalmente conhecido.

Em todo o Brasil, os instrumentos de percussão seguem como parte fundamental do congado e festejos correlatos, como a marujada. Já em Pernambuco, a alfaia e o maracá passaram a compor vários blocos de maracatu que são sensação no carnaval de Recife e Olinda.

Se você quer conhecer mais aprofundadamente esse ritmo pernambucano, acesse o diretório da Musicloom, conecte-se com uma turma de baque forte! Assim como fez Chico Science, experimentações e fusões de ritmos estão para acontecer e é no encontro de diferentes gêneros musicais que elas nascem! se! Clique aqui para se conectar com o que está por vir!